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'Património insólito e sem representação'

2018 Publicação

ARTIGO, UNIVERSIDADE NOVA DE LISBOA

  • Pedro Pedroso. 2018. Património insólito e sem representação. In Patrimonialização e Sustentabilidade do Património: Reflexão e Prospectiva [Documento electrónico], Instituto de História Contemporânea, Universidade NOVAde Lisboa, G. Filipe, J. Vale & I. Castaño (coords.), pp. 620-626, Lisboa.
    ISBN: 978-989-98388-4-0
    Patrimonialização e Sustentabilidade do Património

Resumo
As conclusões da investigação realizada pelo autor revelada pelo caso de estudo que foi a exaltação da herança árabe em Mértola, cujo início remonta aos anos 70, no século passado, vêm acentuar a ideia do contributo favorável da valorização do património cultural como suporte da diferenciação, da atractividade e da autenticidade de um determinado lugar ou região. Todavia, importa ter presente que essa contribuição acresce se for devidamente enquadrada numa estratégia de consolidação e valorização da imagem do próprio lugar, sob pena do efeito ser apenas temporário. Por outras palavras, valoriza-se o património cultural para valorizar a região, ou vice-versa, se se quiser valorizar a região, valoriza-se o seu património, quiçá aquilo que a distingue de outros lugares ou regiões. Esta dicotomia omnipresente no contexto da preservação da herança cultural vem, porventura, acentuar a ocorrência de fenómenos difíceis de explicar e de compreender na sua plenitude, dadas as suas incongruências profundas, que decorrem da coexistência de três factores críticos, incontornáveis, aparentemente distantes, mas também interpenetrantes, na promoção da valorização sustentável e equilibrada do património cultural, sobre os quais, o autor pensa, a saber: (i) a patrimonialização do insólito, que se cristaliza numa certa lógica acrítica e unidirecional para proveito individual, em detrimento do interesse colectivo;
(ii) o património cultural como sustentáculo de um poder formal e factual carente de aceitação e representação, dada a fragilidade da sua própria legitimidade; (iii) a interferência da globalização na explicação da identidade cultural pela herança recebida.