APRESENTAÇÃO, WORKSHOP INTERNACIONAL, PARIS
- I. Tissot*a,b, M. Tissotb, P. Pedrosob, M. Lemosb,. 2009. Should metal shine? Working and sustaining the difference (O metal deve brilhar? Trabalhando e sustentando a diferença). In Workshop on ancient metallurgy and analytical developments in the field of archaeology and cultural heritage, GdR ChimARC, projecto AUTHENTICO (partic.), 14-15 Maio, Paris.
* Autor correspondente
a Faculdade de Ciências, Universidade de Lisboa b Archeofactu
Resumo
Os objectos de metal são testemunhos de civilizações e portadores de um duplo legado cujos componentes são indissociáveis: a matéria-prima e a cultura que representam. O sucesso da aplicação do metal está associado à facilidade de trabalho, permitindo o fabrico de objectos robustos, apesar da sua maleabilidade, e possui também propriedades físicas com qualidades estéticas associadas a relevantes implicações sociais. A maioria dos metais sofre corrosão e o principal objectivo dos conservadores-restauradores de metais, embora paradoxal, é o de retardar a tendência natural para o desenvolvimento do processo de corrosão. Consequentemente, estabeleceu-se um código científico, técnico e ético que esclareceu, e continua a esclarecer, orientações essenciais para o exercício da sua actividade, aplicando sempre metodologias que visam a estabilização do material. No entanto, na maioria dos casos, a conservação está sujeita a algumas restrições provenientes de três juízos diferentes e distintos: função, ambiente e informação, que afectam o programa de conservação a utilizar. Além disso, a associação de referências culturais/pessoais influencia a relação individual com determinados objectos e materiais. Estas condições exigem, além do compromisso com a conservação do material, uma adaptação da metodologia, sobretudo nos processos de limpeza, protecção e exposição, o que, por vezes, implica um desafio à investigação de novas técnicas e métodos de tratamento. Este trabalho será ilustrado com três exemplos distintos – a colecção de instrumentos científicos do Laboratório Químico, do século XIX, da Universidade de Lisboa; o conjunto de pratos de um achado subaquático, do século XVII, de Faro; e o relicário de São Vicente, dos séculos XVIII-XIX, da Colegiada de Soignies – que conduziram ao desenvolvimento de novos métodos de limpeza, como a aplicação de CO2 e azoto líquido, e a alterações nas premissas relativas à aplicação de revestimentos protectores.

